A questão da alteridade na Educação – Parte #2

Na senda da ética da alteridade

Sendo o Homem um ser em situação, porque estabelece relações com outros, é através do diálogo que ele pressupõe uma distância com o outro mas nunca eliminado a alteridade, pois pelo contrário, se esta não existisse, a própria alteridade dissolver-se-ia.

A partir da perspectiva levinasiana da alteridade, que subentende a relação ética como primordial do eu com o outro, entendemos a relação educativa professor-aluno neste mesmo prisma, já que a educação deve ser vista como transmissão de conhecimento, valores morais e responsabilidades; sendo precisamente pelos valores e responsabilidades que a relação primordial entre professor-aluno é eminentemente ética, onde a acção educativa deve ser moral porque centrada no outro.

No contexto da acção educativa, é indispensável que haja uma aprendizagem moral, onde o professor deve ter em conta não apenas o como, mas essencialmente o quê e o porquê do que ensina, isto porque a educação, nesta perspectiva, deve promover o verdadeiro encontro entre o eu e o outro, com base numa relação moral. Neste sentido, somos levados a uma distinção entre a educação tradicional, definida a partir de uma relação instrutiva e formativa de conhecimentos, hábitos e acções em consonância com as regras e normas, e a educação progressista, assente numa relação educacional, em que aquele que educa não vê o outro como mero objecto de conhecimento ou como espaço vazio que tem de ser preenchido com conhecimento, mas como aquele que é capaz de sair da sua menoridade, isto é, não permitir que o outro se cristalize numa mesmidade indiferenciadora. A aposta central da pedagogia da alteridade deverá ser na inovação, reinterpretação e recriação do conhecimento em detrimento da aposta da educação tradicional, que enfatiza a mera continuação e reprodução dos conhecimentos. Para ensinar algo de novo, o professor tem de reconhecer o aluno como alguém com quem deve ser estabelecida uma relação moral, e, ao invés, o aluno tem de se sentir, por parte do professor, como alguém que o recebe como sendo ele próprio, e não como algo capaz de fazer ou produzir.

Ainda no âmbito da pedagogia da alteridade, reconhecer o outro significa confiança, orientação, respeito, reconhecimento, mas também a aceitação de ser ensinado por um outro(s) que penetra(m) na nossa vida (o educador). Reconhecimento, neste contexto, deve ser entendido no respeitante à alteridade radical do aluno e da sua inalienável dignidade, ou seja, intensificar o reconhecimento fora de si mesmo no outro.

Autores: Susana Assunção, João Barroso e Bernardo Marques

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