A questão da alteridade na Educação – Parte #1

No terreno da(s) antropologia(s) do Homem

Partindo do conceito central do presente trabalho, entende-se por alteridade a noção de que o outro deve ser tomado como diferente, isto é, algo diferente de mim, e que, sendo diferente, é também o meu semelhante. É, portanto, um outro eu diferente de mim, onde o outro é simultaneamente o mesmo e o diferente na relação.

Tendo em conta que o trabalho se insere no âmbito da Educação, a noção de alteridade tem de ser compreendida enquanto relação entre seres humanos. Forçosamente, este eu e outro têm de Ser, cuja existência remete para o Homem imbuído de densidade ontológica e antropológica, respectivamente.

O Homem, na sua densidade antropológica, pode ser entendido como um ser finito, e, em certo sentido, limitado, mas porque nasce completamente aberto perante o que o rodeia, cuja sua plasticidade lhe permite ultrapassar tal facto, já que é também um ser perfectível e educável. Recuperando a importância capital da categoria da finitude e racionalidade, enunciadas por Kant, permite pensar o Homem como possuidor de uma natureza inacabada e imperfeita (a sua finitude) mas precisamente por ser racional (a categoria da racionalidade) é capaz de se pensar como livre e determinar os seus próprios fins. Nesta perspectiva, a educação tem em vista a realização do projecto humano no futuro e a perfectibilidade no género humano (cuja figura é o homo educandus).

O carácter de transcender o seu ambiente dado a partir da indeterminação da sua própria natureza, cuja educação assume o papel de abrir as diferentes possibilidades, enquadra-se na importância da alteridade no processo descrito, pois as próprias potências humanas são relacionais, já que se referem a objectos distintos delas. Ainda, a própria abertura às diferentes possibilidades é já introduzir na construção da identidade do eu do Homem o outro, não como reificação dos diferentes participantes das relações, mas como algo que sendo diferente participa no mesmo com o sentido de o fraccionar e abrir a si próprio e ao mundo.

A Cultura assume-se, desta forma, como pano de fundo para um diálogo constante entre o eu e o outro, tomando o dizer e o agir como princípios orientadores desse diálogo. Assim, esta relação primordial dá-se a partir de uma mediação criativa e educativa de produção e reprodução de cultura, desenvolvendo a consciência intercultural na abertura ao outro em espaços de produção intersubjectivos, de comunicação e diálogo que são fundamentais para a aproximação ao diferente.

Este diálogo propicia-se no âmbito da Educação que, não podendo ignorar a natureza humana que se encontra por formar e a necessidade de ser desenvolvida no caminho certo, aquela deve ser pensada no contexto duma instituição, a qual tratará de gerir as noções de liberdade e de autoridade que facultam o desenvolvimento social e interpessoal entre os jovens, não só na diferença, mas, sobretudo, na alteridade.

Autores: Susana Assunção, João Barroso e Bernardo Marques

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s